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Publicado em 01/05/2011 por Zonaalvo Assessoria Esportiva

Perigo em duas rodas: 4 vítimas por dia na cidade

Publicado em 1 de maio de 2011

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Com a desculpa da inexistência de ciclovia, os usuários de bicicletas cometem irregularidades
FOTO: LC. MOREIRA (23/03/2009)

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A falta de ciclovias e a má conservação destas são criticadas pelos que se aventuram a andar de bicicletas
FOTO: JOSÉ LEOMAR

Dados da AMC revelam descaso do poder público e indiferença de quem se locomove com o veículo

O servente João Deon da Silva, de 46 anos, tem poucas coisas que se arrepende na vida. A maior, na sua avaliação, é sem dúvidas, o acidente que sofreu no dia 26 de janeiro desse ano e que por um triz não o levou à morte. Há mais de três meses internado no Instituto José Frota (IJF) tratando dos ferimentos e restabelecendo-se de uma fratura exposta na perna direita, João confessa que teve parcela maior de culpa na hora do desastre ocorrido às 6 horas próximo ao viaduto da Avenida Carlos Jereissati. Ele ia na contramão da via em sua bicicleta e foi atingido em cheio por um carro. “Agradeço a Deus por estar vivo, mas tenho sofrido muito”.

O caso de João infelizmente não é exceção e sim regra de atitudes sem responsabilidade e que vêm multiplicando as estatísticas de trânsito em Fortaleza. Os dados mais recentes fechados pelo Sistema de Informações de Acidentes de Trânsito do Município de Fortaleza (Siat-For) e publicado pela Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC) são de 2009, mas não diferem muito dos dados dos últimos anos.

De acordo com o órgão gestor municipal, 10% dos acidentes no trânsito envolveram ciclistas. Nesse ano, foram 1.510 ocorrências com as chamadas “magrelas”, com 1.300 feridos e 46 mortos. Do total, apenas 163 saíram sem sofrer nada.

As estatísticas do IJF também alertam para a questão. Até março desse ano, 226 pessoas foram atendidas pelo hospital devido à queda da bicicleta no meio das ruas e avenidas da Capital. Em 2010, foram 1.056 registros. Em tempo: o Frotão não distingue entre os acidentes de trânsito como colisão, abalroamentos e atropelamentos quais os tipos de veículos. Isso quer dizer, que os números com as bicicletas podem ser ainda mais altos.

Barbaridades

Quem prefere as magrelas para fugir do pesado trânsito, mas comete inúmeras barbaridades, tem na língua a desculpa que parece perfeita: a falta de ciclovias e se elas existem, a má conservação. “Dos 51 quilômetros desses espaços, pelo menos 42 km são desconexos”, afirma a engenheira de trânsito Carmem Maria de Alencar. “Elas não são interligadas. Tem algumas que saem de canto nenhum e chegam a lugar algum e servem para que?”, ironiza a especialista que também é ciclista. Entre os exemplos, ela cita a pequena ciclovia que sai da Rogaciano Leite e vai até a Avenida Engenheiro Santana Júnior. “Quando a gente chega na Santana Júnior vou fazer o quê? Andar no meio dos carros? ou botar a bicicletas na cabeça e sair andando?”. Segundo ela, a ciclovia é hoje muito mais pista de cooper que via para bicicletas. “Isso também confunde”.

Na avaliação do ambientalista Geraldo José Medeiros, nunca a bicicleta teve tantos adeptos no País e no mundo. Embora no Brasil ela viva uma constante luta por prioridade, espaço, segregado dos carros, a bike conquistou um patamar em que se coloca a necessidade de utilizá-la como modal de transporte, com o qual as pessoas vão e voltam do trabalho. Não é mais pensada apenas como um veículo de lazer para ser utilizado aos fins de semana, com a família.

É, frisa ele, um grande avanço, sem dúvida, mas se as regras, os direitos e, principalmente, os deveres dos ciclistas não ficarem muito claros, todos nós poderemos pagar um preço alto. “Isso porque, embora seja um veículo ecologicamente correto, que contribui para a saúde do homem, é fato que a bicicleta não tem segurança diante dos automóveis, caminhões ou ônibus. É Sansão contra Golias. A força do mais forte”.

EVITE ACIDENTES

Área Urbana

Não andar na contramão dos carros e sobre a calçada;

Evitar pedalar por avenidas, ruas e estradas com grande fluxo, onde circulem caminhões e ônibus;

Ser mais visível. Para isso, use roupas claras ou coloridas. Faça uso de sinais de braço para dizer suas intenções aos motoristas;

Atenção com automóveis saindo ou entrando de garagens, veículos dando marcha a ré e pessoas distraídas cruzando a rua;

Uso de buzina ou campainha ajuda muito a chamar a atenção;

Pedalar pelo lado direito da via. Se precisar ultrapassar um veículo parado, olhar o trânsito atrás, usando o retrovisor;

Sinalizar com o braço quando for ultrapassar um veículo parado;

Cuidado com portas de carros que se abrem de repente;

Em semáforos fechados, ocupar o centro da faixa, isto evita de ficar espremido entre os automóveis e o meio-fio;

Segurança

Usar capacete, óculos (para proteger não só dos raios solares, mas de insetos e poeira) e luvas (são as mãos que tocam primeiro o chão) e para crianças pequenas, cotoveleiras e joelheiras;

Levar garrafa térmica com água ou bebida isotônica;

Procurar pedalar nas horas do dia em que o sol está baixo, pode ser no início da manhã ou no fim da tarde;

Aplicar protetor solar nos dias quentes e leve a embalagem do protetor para reaplicar, pois o suor tira a proteção depois de um tempo;

Em dias nublados, tomar cuidado para não desidratar. O céu nublado engana e causa a sensação de que o dia não está tão quente, portanto, não se esqueça de se hidratar antes, durante e depois do exercício;

Vale lembrar que esses pequenos cuidados podem – e devem – ser ensinados desde criança, bastando os adaptar a cada situação, até mesmo como uma brincadeira.

CICLOVIAS
Obstáculos e lixo comprometem vias

A necessidade de mais ciclovias se transforma em obstáculos e desculpa para quem se locomove sobre duas rodas na contramão e sem observar qualquer atitude de segurança. Fortaleza possui apenas 51 km, ainda assim subutilizados por causa de uma infraestrutura inadequada. Segundo o ciclista e ambientalista Pedro Augusto Oliveira, obras inacabadas ou ciclovias servindo como lixeiras complicam a vida de quem prefere circular nas magrelas.

“A Avenida Bezerra de Menezes é bom exemplo disso. Diga-ma, qual é o ciclista que passa por ali que não é obrigado a sair do espaço próprio no canteiro central?”, questiona Pedro, criticando outro ponto da cidade. “Na avenida Washington Soares, a ciclovia acaba no início de um viaduto. É brincadeira?”.
Em Fortaleza, aponta o engenheiro de trânsito João Brito, existem ciclovias sem qualquer integração, pavimentações ruins, quase sem sinalização e cheias de obstáculos, sem falar nos buracos. O resultado é que, muitas vezes, os ciclistas – entre 150 mil e 200 mil, aproximadamente – que se deslocam para o trabalho) circulam fora delas.

Em agosto do ano passado, a Câmara Municipal aprovou, por unanimidade, um projeto de lei de autoria do parlamentar João Alfredo, criando o Sistema Cicloviário de Fortaleza. Enquanto a lei não é cumprida, avalia o vereador, a cidade engarrafa, o sistema de transporte público, ainda que barato, é cada vez mais precário. “E o governo propõe um Veículo Leve sobre Trilhos em um percurso que não atende às principais vias estranguladas da cidade”, avalia.

Na contramão dos ideais de vida saudável e preservação do meio ambiente, a falta de ciclovias e a má conservação destas são criticadas pelos que se aventuram a andar de bicicletas. É o caso do comerciante Célio da Silva Maciel. Ele considera a ciclovia uma alternativa saudável de mobilidade. No entanto, critica o descaso do poder público com relação à conservação e manutenção desses espaços. “Com tantos buracos e lixo quem anda de bicicleta precisa fazer manobras perigosas para não se acidentar. Quando chove, o pneu pode deslizar, e o pedestre, escorregar”
Dentro das obras do Programa de Transporte Urbano de Fortaleza (Transfor) está prevista a ampliação das ciclovias em mais 30 quilômetros. Enquanto isso, é esperar para ver.

LÊDA GONÇALVES
REPÓRTER

http://diariodonordeste.globo.com

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