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Publicado em 08/06/2010 por Zonaalvo Assessoria Esportiva

Coisa de Menina

Correr faz muito bem às mulheres, mas alguns dilemas podem deixá-las inseguras na hora de calçar o tênis e ir para a pista. A gente mostra como passar por cima deles.

Coisa de menina

Por Daniela Hirsch | Ilustrações Sara Mello

Ainda nesta década, as mulheres devem se igualar aos homens em participação nas corridas — pelo menos essa é a expectativa de muitos profissionais envolvidos nesse mercado. Os números da Corpore, principal organizadora de provas do país, mostram que, atualmente, 35% de seus associados são do sexo feminino — nos anos 90, eram apenas 10%. “A mulher é mais atenta ao bem-estar, preocupa-se em melhorar sua saúde e identifica na corrida também uma oportunidade de relacionamento social”, diz Armando Cunha dos Santos, diretor executivo da Corpore.

De fato, é só dar uma olhada nos parques e academias para confirmar a invasão feminina no mundo da corrida. Mas é importante entender as diferenças do corpo da mulher para aproveitar o melhor que a corrida tem a oferecer. Nós garantimos: TPM, celulite e menopausa combinam com corrida. Descubra por que nas páginas a seguir.

Correr acelera o envelhecimento?

Não. Alguns estudos já provaram que é o sedentarismo que colabora com o envelhecimento. Então troque o “moletom + TV” pelo conjunto “top-camiseta-short + corrida”. “A atividade física aeróbica mantém a pele mais irrigada, com aspecto mais saudável. O tônus muscular adquirido com a corrida e a musculação, por exemplo, deixa o corpo mais firme”, explica a dermatologista Rosiane Boabaid, do Centro Paulista de Medicina Cutânea. Mas ela alerta: em excesso, a prática esportiva aumenta a formação de radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento da pele. “As corredoras profissionais secam as bolsas de gordura e acumulam menos líquido, o que pode dar um aspecto de envelhecimento, principalmente no rosto.” Quanto aos ossos e músculos, eles também saem perdendo com doses exageradas de treino. “Corrida em excesso aumenta o desgaste da estrutura músculo-esquelética. E isso pode acelerar o processo de envelhecimento natural”, afirma o ortopedista Rene Jorge Abdalla, diretor do Centro de Ortopedia e Reabilitação do Esporte, do HCor, em São Paulo. Mas aí estamos falando das corredoras profissionais, que treinam forte praticamente todos os dias. A mensagem que vale para você é esta: na dose certa, a corrida contribui para deixá-la cada vez mais bonita.

A celulite desaparece com a corrida?

O esporte não faz milagre, mas ajuda — e muito. Saiba que você não está sozinha: os furinhos indesejados afetam 90% das mulheres. “A celulite é consequência do acúmulo de gordura localizada associado à retenção de líquidos e retração da pele”, explica a dermatologista Rosiane Boabaid. A genética e o estilo de vida determinam a intensidade com que a celulite aparece, mas a corrida é uma grande aliada no combate a essa praga. “Os treinos devem ser indicados por técnicos que conheçam a corredora para especificar o intervalo adequado da frequência cardíaca, a fim de queimar o tecido adiposo e não a massa muscular”, diz Rosiane.

A corrida faz o peito e o bumbum caírem?

Eles balançam, mas pode ter certeza que não é a corrida que vai fazê-los cair. A culpada por esse efeito (cruel) é a gravidade, e você está sujeita a ela correndo ou não. A região das nádegas é formada por músculos fundamentais para a corrida, e que são bastante solicitados durante essa atividade. Portanto, seu bumbum só tende a ficar mais firme com os treinos. “A causa da queda é a flacidez muscular, fato que não ocorre em corredoras que seguem um treinamento bem orientado tanto de corrida como de fortalecimento, com sessões de musculação”, diz Rene Jorge Abdalla. O bumbum balança porque também tem tecido adiposo (gordura), que não enrijece nem com musculação “puxada”. Já os seios são compostos por glândulas que não tem como serem fortalecidas. O que dá é para trabalhar a musculatura peitoral que ajuda a sustentar os seios. O importante mesmo é caprichar no top durante a corrida. Prefira aqueles de alça larga e de tecido com compressão.

Na TPM (tensão pré-menstrual), corro ou descanso? E nos dias de menstruação?

A dificuldade maior para correr está nos dias que antecedem à menstruação. Os sintomas da tensão pré-menstrual — inchaço, mau humor, cólica, seios doloridos — fazem de tudo para deixar a gente em casa. Mas resista a eles e corra, nem que seja em intensidade leve ou moderada. A endorfina liberada durante o treino consegue bloquear alguns sinais de cólica que são emitidos ao sistema nervoso. O aumento do batimento cardíaco melhora a circulação e oxigenação dos tecidos, amenizando as dores. Mais ainda: você distrai a cabeça e mantém a forma. Para quem tem cólicas muito fortes durante o período menstrual, é melhor não forçar a barra. Se estiver sem dor, faça seu treino e lembre-se de que é mito dizer que corrida aumenta o volume da menstruação. O que ocorre é que a eliminação da parede do endométrio (que libera o sangue que sai todo mês) acontece mais rapidamente em decorrência do movimento da corrida.

Posso correr com dor de cabeça?

Depende do tipo de dor de cabeça. “A tensional, que é a mais comum e muito presente entre as mulheres, melhora com a corrida porque a endorfina liberada durante o treino funciona como um analgésico natural”, afirma a médica Rosiane Boabaid. Mas, se a enxaqueca for a responsável, nem calce o tênis. A dor intensa e pulsante que atinge normalmente apenas um lado da cabeça só piora com atividades que estimulam a circulação sanguínea. Porém, um dos principais fatores que agravam as crises de enxaqueca é o estresse. Logo, inclua a corrida em sua rotina para aliviar essa tensão e, consequentemente, diminuir as chances de iniciar uma crise de enxaqueca.

Durante a gravidez, recomenda-se parar ou desacelerar?

Existe uma regra simples: se você tem uma vida sedentária, não invente de começar uma atividade física de impacto durante a gravidez. “A mulher até pode se exercitar, mas recomendam-se esportes sem impacto, como natação, pilates e aulas de alongamento”, afirma a ginecologista e obstetra Lúcia Navarro, membro da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo e especializada em gravidez de alto risco. Segundo ela, no primeiro trimestre da gestação — até completar 12 semanas —, recomenda-se repouso (mas isso também depende bastante do estilo de vida e da idade da mulher). Passado esse período, as mulheres que já tinham uma vida ativa podem retomar os treinos, mas com moderação. “A grávida deve monitorar sua frequência cardíaca. O ideal é que ela passe a trotar no máximo com uma FC 20% menor do que a que estava acostumada a ter”, afirma Lúcia. Isso é fundamental para que a futura mãe não cause taquicardia no feto. Siga à risca as recomendações do seu médico e de um técnico, que vai acompanhar de perto as reações do seu corpo aos treinos.

A corrida piora a incontinência urinária?

Sim, mas não impede que você se exercite. É mais comum do que você imagina o escape de xixi entre mulheres que correm. “Uma pesquisa recente, realizada entre corredoras em São Paulo, constatou que 25% das entrevistadas já apresentaram sinais de incontinência urinária por esforço durante um treino”, diz o supervisor técnico Renato Dutra, da Assessoria Esportiva Run & Fun. É frequente sentirem esse desconforto principalmente depois de uma gravidez, que fragiliza a musculatura do assoalho pélvico. O impacto das passadas estimula o vazamento. Para evitar o incômodo, trabalhe o fortalecimento dos músculos pélvicos (com séries de movimentos de contração e relaxamento da região). Antes dos treinos, vá ao banheiro e use, se for o caso, absorventes específicos para incontinência. Você vai se sentir mais segura até para se hidratar de forma adequada – não deixe de beber água por causa desse problema!

Mulheres se lesionam mais que os homens??

Qualquer pessoa que corra está sujeita a se machucar, independentemente do sexo. “Mas alguns tipos de lesão são mais comuns entre as mulheres, como a fratura por estresse e a condromalácia patelar”, afirma o ortopedista Paulo Barone, especialista em medicina esportiva e membro da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Segundo ele, um dos problemas que ocasionam lesões é o desequilíbrio muscular. E as oscilações hormonais do corpo feminino podem agravar o quadro, levando a uma fratura por estresse. No caso da condromalácia — doença degenerativa que acomete a cartilagem da patela —, a constituição física da mulher, com quadril mais largo e joelho valgo (em X) favorece esse tipo de problema. “De qualquer forma, as mulheres costumam estar mais atentas nos treinos e preocupadas com a biomecânica do movimento da corrida que os homens”, diz o técnico Renato Dutra.

Correr estimula a libido?

Isso é possível, só que muito mais como uma combinação de fatores que agem de maneira indireta sobre o desejo. “Mesmo depois de acabar o treino de corrida, o volume de hormônios relacionados à libido continua aumentando.

Isso, associado às condições gerais de bem-estar e confiança que o exercício promove, é capaz de elevar a autoestima da mulher”, diz Rene Jorge Abdalla. Com a confiança lá em cima, fica muito mais fácil relaxar e curtir o momento.

Posso correr na menopausa?

Você pode e deve se exercitar nessa fase. “Não existe problema, desde que a mulher faça paralelamente alguns treinos de fortalecimento muscular”, explica a ginecologista Lúcia Navarro. Sem a produção de progesterona e estrogênio, a mulher deve ficar mais atenta à alimentação, já que a absorção de cálcio pode ser prejudicada e, como consequência, abrir uma brecha para problemas ósseos se instalarem. O fisioterapeuta Alexandre Ferrari recomenda que, antes de começar a correr, a mulher faça todos os exames clínicos e passe por um profissional que investigue a existência de problemas articulares e mecânicos. “Dependendo do nível de desgaste, ele pode ser um fator limitante para a prática esportiva de maior intensidade.”

A corrida é um risco para a mulher com osteoporose?

Depende do grau da doença. Qualquer atividade física de impacto estimula as reações de formação óssea. ‘Porém, em estágios avançados, faça um tratamento prévio e redobre a atenção para que a fragilidade dos ossos não dê espaço para uma fratura por estresse”, afirma o ortopedista Barone. Nesses casos, para ajudar na produção de massa óssea, o ortopedista aconselha atividades como musculação e hidroginástica. Mulheres com osteopenia — estágio inicial da osteoporose, que já dá indícios da diminuição da densidade dos ossos — devem fazer atividades de impacto, como a corrida, para que a doença não evolua. Se for preciso, consulte um reumatologista para reforçar a dose de cálcio ingerida.

Se tenho varizes, posso correr? As meias esportivas de compressão acentuam ou ajudam na eliminação desse problema?

Vai depender do grau desse problema circulatório. “A maior causa das varizes é a genética. De forma geral, o exercício é bom para a circulação sanguínea”, afirma o angiologista Marcelo Araújo, doutor em cirurgia vascular pela Universidade Federal Paulista (Unifesp). “As mulheres com microvasos não sentem diferença nenhuma com a corrida, mas quem tem aquelas veias dilatadas deve tomar cuidado porque as chances de sentir dor e inchar a perna aumentam. Nesse caso, é melhor nadar ou fazer hidroginástica.” Quanto às meias de compressão, mulheres com os pequenos vasinhos podem usar, pois não comprometem a circulação nem agravam o quadro. “Já para as corredoras com varizes salientes na pele, o ideal é usar uma meia de compressão elástica medicinal, que tem uma ação graduada, sendo maior no pé e menor na região da coxa. Isso favorece a drenagem do sangue que caminha contra a gravidade em direção ao coração”, diz Araújo. Nos casos extremos, por exemplo, uma legging sem a diferença de compressão pode atuar como uma espécie de garrote, causando inchaço e dor.

runnersworld.abril.com.br

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