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Publicado em 15/06/2009 por Zonaalvo Assessoria Esportiva

Centenário do Giro d’Italia. Quantas emoções!

Este Giro d’Italia foi realmente uma emoção. Pessoalmente, tive a oportunidade, pela primeira vez, de assistir a uma chegada da “Corsa Rosa”, realmente uma emoção indescritível. Esportivamente, foi uma prova bastante agitada com emoções até o último quilometro.

A prova, antes de qualquer coisa, contava com a primeira participação de Lance Armstrong (Astana) no Giro, o que por si só já atraía bastante atenção, especialmente depois do acidente no qual o americano quebrou a clavícula, apenas 47 dias antes. Para aumentar a expectativa, a real volta de Ivan Basso (Liquigas), suspenso por dois anos por envolvimento na “Operação Puerto”, o escândalo espanhol de doping.

No começo, a disputa estava entre o italiano Alessandro Petacchi (LPR) e o britânico Mark Cavendish (Columbia), na qual o italiano levou vantagem. Como este Giro quebrava todas as tradições de edições anteriores, logo na quarta etapa apareciam as montanhas Dolomitas, porém sem a dureza usual, e logo depois os Alpes na fronteira com a França. Nessas etapas, o italiano Danilo Di Luca (LPR) aproveitou para abrir algum tempo em pequenos ataques nas chegadas em alto, que lhe renderam os segundos de bonificação da vitória e a “maglia rosa”, além da “maglia ciclamino” de líder por pontos e a verde de líder da montanha.
Já neste começo, alguns dos candidatos à vitória, como os italianos e vencedores de Giro Damiano Cunego (Lampre), Gilberto Simoni (Diquigiovanni) e Stefano Garzelli (Acqua & Sapone) perderam suas chances de disputar a classificação geral e também Lance Armstrong mostrando não estar totalmente apto para esse tipo de prova.

Fica o destaque às performances de Di Luca e Garzelli na etapa entre Cuneo e Pinerolo, em que Garzelli, com uma fuga de quase uma centena de quilômetros, passou a ser o líder da montanha. Essa etapa deveria ter seguido o mesmo percurso da mítica vencida por Fausto Coppi sobre seu arqui-rival Gino Bartali em 1949, porém problemas climatológicos e burocráticos impediram a passagem pela parte francesa do percurso.

Chega a 12a etapa, o “famigerado” contrarrelógio com cerca de 60 km, distância maior que usual, e sem um único quilometro plano. Neste dia Di Luca pôde dizer adeus à sua “maglia rosa”, arrebatada pelo russo Denis Menchov (Rabobank), conservando a ciclamino. Menchov, que tinha sempre chegado perto de Di Luca, estava na lista dos homens fortes, mas não na de candidatos ao título. Nesta altura do campeonato, a conta dos sprinters estava em duas vitórias para Petacchi e três para Cavendish, que abandonaria o Giro após sua terceira vitória em Florença, na 13a etapa. A partir de então, não haveria mais chegadas em massa.

Depois do contrarrelógio, Menchov marcou de perto Di Luca, de forma que o italiano não pudesse recuperar a liderança – o russo estava confiante de que não seria surpreendido no pequeno contrarrelógio de Roma na última etapa. Nesta última parte do Giro se destacaram o espanhol Carlos Sastre (Cervélo), vencedor do Tour de 2008, e o italiano Franco Pellizotti (Liquigas): ambos venceram as principais etapas de montanha, como o Blockhaus e o Vesúvio, que poderiam alterar a classificação geral. Pellizotti se mostrou mais forte que seu companheiro Basso e ficou com o terceiro lugar do pódio, perdido no ano passado por alguns poucos segundos para Marzio Bruseghin (Lampre), seguido de Sastre e Basso. Armstrong mostrou uma considerável melhora de forma com relação ao começo da corrida, o que pode ser um bom indicativo de que chegará bem para o Tour.

Di Luca não conseguiu se livrar de Menchov – que atuou como “sua sombra” – e chegou a Roma com uma desvantagem de 20 segundos. A última etapa foi marcada pela chuva intermitente, que fez com que Menchov, último a partir por ser o líder da classificação geral, fosse ao chão no quilometro final, deixando todos em grande suspense e aumentando absurdamente a “taxa de emoção” da prova. O tombo não o impediu de abrir ainda mais 21 segundos sobre Di Luca e conquistar pela primeira vez um Giro d’Italia. Di Luca conquistou a classificação por pontos, Garzelli a de montanha e a classificação jovem foi vencida pelo Belga Kevin Seeldrayers (Quickstep).

Este foi um Giro fora do comum, um Giro surpreendente. A classificação por pontos, geralmente conquistada por sprinters, ficou para Di Luca, um escalador, mostrando essa escassez de etapas planas para chegadas massivas. O primeiro Giro a superar os 40 km/h de média final, mostrando que, apesar de ter poucos percursos planos, as etapas de montanha tinham menos intensidade que nos anos anteriores. Este Giro centenário foi realmente um “Giro de emoções”, no qual nada ficou definido antes do final e cada etapa foi disputada até o último metro.

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