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Publicado em 05/02/2014 por Zonaalvo Assessoria Esportiva

Musculação e corrida, uma relação delicada

Por Breno Leal
CREF – 4818/G (CE)

MG_3618

Sempre que estamos procurando uma melhora na performance ou mesmo prevenir uma lesão que já vem acontecendo de tempos em tempos, pensamos na musculação. E o pensamento não é equivocado, o trabalho de reforço muscular já está bem documentado e comprovado que dá maior sustentação ao esporte que a pessoa pratica, tanto pela melhora do rendimento muscular quanto pela pequena (e muitas vezes até ausência) incidência de lesões.

Há, contudo, um porém: até onde o trabalho de força pode ajudar e a partir de quando ele pode atrapalhar. Sim sim, há uma linha tênue entre a perfeição e o desastre de um treinamento com acréscimo da musculação. Por isso, apesar de comprovado o benefício, é preciso saber como proceder em cada caso.

A principal meta da musculação é o ganho de força. Muitas vezes, esse ganho de força pode ser interpretado de maneiras diversas. Um corredor de longa distância vai preferir ter o ganho da resistência muscular, comparado ao corredor de velocidade que vai preferir o trabalho de potência muscular. Nos dois casos, a musculatura ganhará força.

Lembrete: corrida de longa distância é toda aquela que dura mais de 3min.

E qual a diferença entre eles? No primeiro caso, o músculo será trabalhado para aguentar o estímulo por mais tempo, ou seja, manter aquele “pace” desconfortável por mais tempo. E no segundo caso, o corredor terá maior resposta ao estímulo em velocidade máxima, quer dizer, ele vai conseguir chegar à uma velocidade máxima melhor do que conseguia.

Analisando assim, você que corre já pode fechar a conta e mandar ver no trabalho de resistência muscular, certo? Não. Ainda não.  Veja, a ciência é quase uma arte por conta disso e o que você está fazendo com o seu corpo é bem mais que um visual melhor. A musculação, assim como com a corrida, deve ser periodizada ao longo da sua temporada. Lembre que o mesmo treino sendo repetido ao longo do ano, sem qualquer alteração, pode acabar não lhe trazendo mais ganho nem manutenção e até pode começar a entrar em declínio de performance.

Portanto, haverá períodos do ano que você terá como objetivo a resistência muscular e em outros, a potência. Há também o estudo de cada caso. Em algumas pessoas, por exemplo aquelas que estão abaixo do peso ideal, o trabalho de aumento da massa muscular pode ser enfatizado. A musculação tem um verdadeiro leque de opções para cada pessoa e cada objetivo.

Muitas vezes, em razão do resultado animador (a falta de lesões e/ou melhora na performance), começamos a tomar algumas decisões por conta própria e esquecemos em que período da temporada estamos, minando todo um trabalho que visava a nossa saúde. Começamos a aumentar/reduzir a carga sem orientação, acrescentamos/tiramos um dia num período crítico e específico do treinamento, apressamos intervalos, misturamos alguns com outros, entre outras coisas.

Um bom lembrete ao corredor é: se depois de uma sessão-treino de musculação, a sessão de corrida não for completa dentro do objetivo dela ou mesmo ser interrompida por fadiga muscular ou dificuldade mecânica em fazer a atividade, há algo de errado no trabalho de força feito na academia. Seu corpo pode começar a entrar em processo de lesão e muitas vezes, ela acontecerá durante a corrida pelo fato de ser o treino principal, mais vezes feito e estar exposto à adversidades que uma atividade ao ar livre dispõe. A lesão pode ser por causa da musculação. Portanto, desconfie, investigue e modifique.

A primeira coisa, então, que você deve levar em consideração é qual a sua principal prova do ano. Pode ter mais de uma prova principal no ano? Pode, apenas mais uma. Então, pode ter duas provas principais no ano. Está também comprovado que o atleta entra no pico da performance uma a duas vezes no ano. Acredite nisso, é verdade. Faça um exercício mental e lembre de suas melhores performances. Você vai ver que em um ou dois períodos do ano, você conseguiu estabelecer marcas realmente importantes na sua carreira atlética.

Depois de escolhida a sua principal prova, é tempo de fazer a periodização. Dependendo do tipo de prova (distância, terreno, topografia, etc.), a periodização da musculação será arquitetada e você fará muita força quando for preciso e na hora certa. Tome cuidado para não promover queima de etapas.

Isso não quer dizer que você só pode participar de uma ou duas provas no ano. As outras provas do ano serão para adquirir ritmo e consistência, fazem sim parte do treino. Não deixe de fazer provas secundárias ao seu objetivo.

Mas, e se a pessoa gosta muito da musculação e não quer deixar de fazer aquele treino desafiador? Aí nós entramos naquela questão do foco. Se você quer manter a musculação e a corrida, ambas em alta performance, você vai ter que equilibrar e saber que alguns treinos prediletos poderão que ser adiados ou até eliminados do seu programa de treino.

Em alguns casos, vemos atletas que se superam na musculação, vêem a evolução na composição corporal e não conseguem enxergar evolução na corrida. Isso pode acontecer? Pode.  A musculação pode ajudar a corrida e a corrida pode ajudar a musculação. O ganho de condicionamento físico acontecerá nos dois casos. A musculação ajuda a aprimorar a corrida e a corrida ajuda a melhorar os objetivos da musculação. Se a corrida está estagnada e a musculação melhorando é sinal de que o seu treinamento está mais voltado para o ganho de força muscular e não para a corrida de fato. A corrida, nesse caso, está ajudando a melhorar o condicionamento físico e otimizando os efeitos da musculação.

Ok. A relação entre corrida e musculação é delicada por essas razões expostas e por algumas mais que poderão ser publicadas em breve no nosso site. A ideia que tivemos para a leitura desse texto foi abrir um pouco a mente dos corredores e triatletas de que a musculação é bem mais (muito mais) do que apenas puxar ferro e parecer mais forte. O trabalho de reforço deve ser levado a sério e você deve mesmo ter que saber o que está fazendo com o seu corpo. Para isso, consulte um profissional capacitado e procure entender o que você está fazendo naquela bendita uma hora numa sala cheia de pesos e música alta.

Lembre que levar a sério, não quer dizer que você tem que fazer musculação todos os dias da sua vida. Lembre que existe periodização. As cargas, o volume e a frequência de treinos de força dependerão da sua meta e da sua temporada. Portanto, atice o seu professor (tanto o da corrida quanto o da musculação) a lhe colocar no seu melhor da performance, mas também acredite no trabalho à longo prazo e não faça coisas além da capacidade de evolução real.

Se superar não é apenas conseguir fazer mais forte e melhor uma coisa, é saber quando é que você será mais forte e melhor na hora certa.

Bons treinos!

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